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2008 Press Releases


São Paulo, Brasil - 08 de Julho de 2008

Nelson Ninin, o primeiro brasileiro na presidência
mundial da ISA em 63 anos


Em 1º de junho, durante o Spring Leaders Meeting da ISA, em West Palm Beach, Flórida, EUA, Nelson Ninin foi eleito para presidir a entidade em 2010, sendo que em 2009 ocupará o cargo de Presidente Eleito Secretário e em 2011 será o Presidente Passado. Isto significa que, pelo menos por três anos, ele terá uma atuação direta nos destinos da ISA em todo o mundo. Conheça a seguir como aconteceu o rigoroso processo da eleição e quais são as metas de Ninin nesse período.





Sílvia Bruin Pereira
(silviapereira@intechamericadosul.com.br)


INTECH AMÉRICA DO SUL – Antes de tudo, parabéns pela conquista inédita. Aliás, o processo todo até a sua eleição envolveu uma série de fatos que a maioria das pessoas não conhece. Como tudo isso começou?


NELSON NININNa verdade, esse processo começou no ano passado e que decidimos não divulgar, porque adotamos uma estratégia, na qual muitos aspectos não deveriam ser revelados antecipadamente. Bem, em maio de 2007, nas reuniões do Spring Leaders Meeting em Orlando, alguns membros seniores e ex-presidentes me abordaram, sugerindo que eu seria um bom candidato para presidente da ISA e que talvez fosse a hora de eu me apresentar. A partir daí, comecei a pensar nisso, e a investigar com outros líderes, qual seria a aceitação de um não-americano neste cargo e quais seriam outros possíveis candidatos. Resolvi também discutir o assunto na Yokogawa do Japão sobre a viabilidade de ser candidato e, eventualmente, ser eleito, que apoio eu teria em minha gestão como presidente da Yokogawa América do Sul. Fui bastante incentivado pelo presidente e vice-presidentes da Yokogawa no Japão, assegurando que eu não teria problemas com a operação da empresa, porque colocariam à minha disposição todo o suporte que eu precisasse, se fosse eleito. Isso me cativou mais a ir em frente com o processo de candidatura. Posteriormente, nas reuniões internas da ISA em Houston, durante a ISA Expo 2007, comecei a falar com os principais líderes da ISA sobre a minha possível candidatura. Senti algumas barreiras e o comentário de todos que, ser eleito numa primeira tentativa, seria praticamente impossível, pois têm sido assim ao longo da história da entidade. Conheci também os outros possíveis candidatos, porém a minha motivação ficou ainda maior diante desse desafio.


INTECH AMÉRICA DO SUL – Tomada a decisão de se candidatar, veio pela frente uma série de processos internos da ISA que devem ser rigorosamente cumpridos. Qual foi o primeiro passo?


NELSON NININExiste um comitê na ISA que pesquisa os possíveis candidatos para os cargos que serão disputados nas eleições. Sabendo do meu interesse, em novembro do ano passado, apresentei a esse Comitê uma série de formulários com as minhas qualificações para uma primeira avaliação. Nesses formulários inclui a minha experiência em entidades sem fins lucrativos, em sociedades profissionais, como a própria ISA e, ainda, comprovando minhas atividades profissionais relacionadas à área de instrumentação e de automação industrial. E esse comitê me recomendou, indicando que eu seria qualificado para ser candidato.

INTECH AMÉRICA DO SUL – Tomada a decisão de se candidatar, veio pela frente uma série de processos internos da ISA que devem ser rigorosamente cumpridos. Qual foi o primeiro passo?

NELSON NININ Existe um comitê na ISA que pesquisa os possíveis candidatos para os cargos que serão disputados nas eleições. Sabendo do meu interesse, em novembro do ano passado, apresentei a esse Comitê uma série de formulários com as minhas qualificações para uma primeira avaliação. Nesses formulários inclui a minha experiência em entidades sem fins lucrativos, em sociedades profissionais, como a própria ISA e, ainda, comprovando minhas atividades

Da esquerda para a direira: Gerald Cockrell, presidente
eleito para 2009; Kim Miller Dunn, atual Presidente;
e Nelson Ninin, presidente eleito para 2010.

profissionais relacionadas à área de instrumentação e de automação industrial. E esse comitê me recomendou, indicando que eu seria qualificado para ser candidato.

INTECH AMÉRICA DO SUL – Após essa primeira etapa vencida, o que foi preciso dali em diante?


NELSON NININ Em janeiro deste ano, eu fiz o registro da minha candidatura, preenchendo uma série de outros formulários e entregando vários documentos, sendo que em um deles é preciso mencionar de onde veio a indicação. E a minha veio do próprio comitê, o que ajuda sempre a fortalecer a candidatura. Até 31 de março nós tínhamos que apresentar cartas de referência de pessoas, entidades e empresas, declarando as razões pelas quais eu teria qualificação para ser presidente mundial da ISA. Apresentei nove cartas, que se complementavam. Ou seja, não eram repetitivas. Eram cartas de entidades nas quais realizei trabalho voluntário, como a própria ISA (fui presidente do Distrito 4 nos anos de 2002, 2003 e 2004) e a Abinee, onde atuo há mais de 30 anos; de universidades, como a da Rússia, onde participei pelo comitê de congressos da Unesco; do conselho da Universidade de Pittsburgh, EUA, onde fiz meu MBA, do qual ainda faço parte do Conselho de MBA Internacional; de empresas internacionais com as quais participo de parcerias; de clientes como a Petrobras, com a qual mantenho um longo relacionamento; além de três profissionais muito bem posicionados na ISA nos Estados Unidos e uma do presidente da Yokogawa no Japão, confirmando que a empresa dava todo o apoio e que eu estaria liberado para assumir esse cargo na ISA. Outro fato importante para o reforço de minha candidatura, foi o Marcos Coester, Presidente da ISA Distrito 4, ter sido escolhido para ser o Chairman dos Presidentes dos Distritos e poder participar do Comitê Executivo da entidade no ano de 2008. Isso deu mais visibilidade aos brasileiros que atuam na ISA.

INTECH AMÉRICA DO SUL – Passando, então, para 1º de junho em West Palm Beach, quem foram os membros que votaram durante o Spring Leaders Meeting e como foi o processo de votação?

NELSON NININ Os votos são de um representante de cada um dos 14 Distritos da ISA – nove dos Estados Unidos, dois do Canadá, um da América do Sul, um da Europa e um da Índia – e dos últimos três ex-presidentes da ISA (Lowell McCaw, Donald Zee e Kenneth Baker). Ao todo, são 17 votos e ganha quem tem o maior número de votos. Cada candidato a presidente pode escolher duas pessoas para falar por ele por cinco minutos cada um, antes da apresentação do próprio candidato. Aí eu também escolhi pessoas que falaram em complemento ao que eu próprio apresentei. Um deles foi o italiano Pino Zani, que é um ex-presidente da ISA e, até então, o único presidente não-americano da ISA mundial, e que falou como era plenamente possível um não-americano ser presidente da ISA; e o outro foi o americano, Mathew Ray, que é vice-presidente financeiro da Yokogawa nos Estados Unidos; neste particular, isto foi muito fora do normal, porque todos os candidatos escolhem pessoas que estão envolvidas diretamente com a ISA e que são bastante conhecidas pela comunidade. Os dois foram a West Palm Beach especialmente para essas apresentações. Vale lembrar que na semana anterior à votação, o Marcus Coester, que é o Chairman dos Presidentes dos Distritos da ISA, enviou uma mensagem a todos eles, dizendo que os dois candidatos eram bons, com qualificações diferentes, porém, ressaltando alguns pontos importantes da minha experiência. Isso foi um reforço importante e realizado na reta final das eleições.

INTECH AMÉRICA DO SUL – E como foram recebidas as apresentações dos seus dois escolhidos e, especialmente, a sua apresentação?

NELSON NININ A minha apresentação foi antes da do outro candidato. O Mathew Ray reforçou que, antes de sair do Japão, esteve com o presidente da Yokogawa, o qual confirmou o apoio da empresa à minha candidatura e falou também de minha carreira profissional na Yokogawa, como Presidente da empresa para a América do Sul, Membro do Conselho da Yokogawa Internacional em Cingapura e Membro do Comitê Estratégico da Yokogawa no Japão. Depois, o Pino Zani falou um pouco da nossa relação, especialmente porque quando eu fui o Presidente do Distrito 4 da ISA, ele também era o presidente da ISA mundial, tendo estado aqui no Brasil durante o ISA Show. Portanto, ele pôde constatar todo o trabalho que vem sendo desenvolvido aqui na América do Sul. Em seguida, fiz a minha apresentação, explorando a minha experiência e destacando o que eu poderia fazer pela ISA. O interessante é que houve um verdadeiro “bombardeio” de perguntas, o que não é usual, já que eu tenho acompanhado essas votações para presidente da ISA nos últimos três anos, como Nominator do Distrito 4. Realmente, o número de perguntas foi exagerado. Acredito que eu pude responder todas satisfatoriamente, porque dava para perceber o agrado dos ouvintes, no sentido de que as respostas eram consistentes. Eu creio que as perguntas foram, especialmente pelo lado dos americanos, para checar se eu estava mesmo preparado para assumir a presidência.  As perguntas foram de todos os tipos, como sobre a minha disponibilidade, capacidade, experiência, etc. Isso foi ótimo, porque quanto mais perguntas, mais tempo eu ficava em exposição e mais tempo eu tinha para dizer o que eu posso fazer. Eu saí muito confiante, embora, depois das apresentações, ainda fosse uma incógnita quem seria o vencedor. Depois disso, os votantes permaneceram em uma sala fechada, fizeram vários debates e, finalmente, votaram.

INTECH AMÉRICA DO SUL – Fazendo um parêntesis na questão da eleição, desde o ano passado a ISA está tentando modificar mais uma vez o seu nome. Qual é a sua avaliação sobre essa mudança?

NELSON NININ Realmente há uma discussão de mudança de nome da entidade desde o ano passado e existe sim o interesse de mudar para ISA – International Society of Automation. Contudo, eu acho que dificilmente a mudança vai passar esse ano novamente, porque não há uma base de ações atrás do novo nome, para que se torne, de fato, internacional. Na minha apresentação, quando me perguntaram sobre a área internacional, uma das coisas que eu disse foi: por exemplo, se eu quiser ser americano, não basta eu trocar o meu nome de Nelson Ninin para John Smith. Eu preciso comer sanduíche na hora do almoço; tenho que gostar de beisebol; e devo falar inglês sem sotaque. Enfim, tenho que ter atitudes e mudar o que eu sou para ser americano. Acho interessante mudar o nome da entidade, mas é preciso mudar as atitudes.

INTECH AMÉRICA DO SUL – Voltando à eleição. Como foi o momento que você soube que havia vencido?

NELSON NININ Depois das apresentações, eu sai do hotel, onde estavam sendo feitas as reuniões e a eleição, mesmo porque não podemos permanecer na sala da votação. Eu fui almoçar com o Pino Zani e o Mathew Ray, ue falaram por mim, mais o grupo do Distrito 4 – Marcus Coester, Presidente; José Otávio Mattiazzo, Presidente Eleito; Jorge Ramos, Tesoureiro e Diretor de Publicações; e Vitor Finkel, Presidente Passado. O Augusto Pereira, como Nominator, ficou no hotel porque foi um dos votantes. Na mesa do almoço recebi um

Da esquerda para direita: Grupo do Distrito 4 - Augusto
Pereira, Jorga Ramos, Nelson Ninin, Marcus Coester,
Victor Finkel e José Otávio Mattiazzo.

telefonema do Stephen Huffman, que foi quem coordenou a reunião, informando que eu havia ganho a eleição. E aí a emoção foi muito grande, muita festa e muita alegria. Logo depois, comecei receber ligações e e-mails de todo o mundo, inclusive de ex-presidentes da ISA mundial que não puderam comparecer. Muitos estavam na expectativa desse resultado. No domingo à noite, houve uma confraternização, e aí recebi muitos apoios, inclusive do outro candidato, o Leo Staples, que tem uma experiência muito grande na ISA. Ele está há oito anos no Comitê Executivo, e é atualmente o Tesoureiro da sociedade. E, de fato, ele pode me ajudar muito, porque conhece profundamente toda a organização interna da ISA e pode ser um grande aliado. O anúncio oficial da minha vitória foi feita na sessão de encerramento do Spring Leaders Meeting, na segunda-feira, dia 2 de junho. O resultado da eleição será referendado em outubro próximo, durante o Conselho de Delegados das seções da ISA, que será realizado em Houston.

INTECH AMÉRICA DO SUL – Você está eleito. Como será o seu dia-a-dia a partir de agora?

NELSON NININO processo sucessório da ISA é muito bom, porque dá tempo de preparação para quem assume novos cargos. A partir de 2009 assumo como Presidente-Eleito-Secretário e as minhas primeiras funções serão em Comitês, inclusive no Executivo onde se adquire experiência para o cargo de Presidente que assumirei em 2010. Trabalharei junto com o presidente de 2009, Gerald Cockrell, que é um catedrático de uma universidade e, pelos contatos que tenho tido com ele, faremos uma parceria muito boa. De certa forma, serei seu braço direito e vou, com certeza, aprender muito com ele. Após o mandato de Presidente em 2010, em 2011 serei o Presidente Passado, ainda com uma séria de atribuições. De qualquer forma, como já tenho muitas atividades, consigo dimensionar o tempo colocando prioridades. E é claro que hoje, o que mais consome o meu tempo, é a própria Yokogawa, com trabalhos no Brasil, em países da América do Sul e da Ásia, onde viajo mensalmente. Quando eu assumir a presidência mundial da ISA, vou diminuir as minhas atividades na Yokogawa e aumentar na ISA. Poderei combinar as tarefas internacionais atendendo ambas as entidades.  A minha teoria é a de que o meu dia tem 36 horas: 12 horas de trabalho e 24 horas pensando e planejando o que fazer de melhor para alcançar os objetivos e quais as ações a serem tomadas.

INTECH AMÉRICA DO SUL – Você acha que, com a sua eleição para Presidente Mundial da ISA, haverá alguma repercussão aqui no Distrito 4?

NELSON NININ Com certeza, e a repercussão positiva já começou. Nesse primeiro momento, e acho que não é só emocional, vai ecoar na América do Sul e refletir positivamente. Muitos profissionais que me telefonaram, disseram que se aproximarão da ISA, como sócios e voluntários para contribuírem com essa sociedade internacional que terá um presidente brasileiro. Estou certo de que mais profissionais estarão conosco, vão se juntar ao Distrito 4, como sócios ou voluntários para nos ajudar. E acho que na própria Ásia, onde a Yokogawa tem um nome muito forte, o apoio também virá, pois já estou recebendo esse feedback.

INTECH AMÉRICA DO SUL – Durante sua apresentação você destacou o que poderia fazer pela ISA. Provavelmente são aspectos que serão os pontos principais da sua gestão. Quais são eles?

NELSON NININ De uma maneira simplificada, o que eu disse na minha apresentação, foi sobre a recuperação do número de membros, que caiu nos últimos dez anos na ISA. Neste aspecto, mencionei exemplos de associações de profissionais que vêm crescendo em várias regiões do mundo. Usarei a experiência que tenho aqui no Brasil, da ISA e da Abinee, para promover melhor as feiras e congressos,

Nelson Ninin logo após sua eleição durante o Spring Leaders Meeting.


até com uma participação mais pessoal como presidente, porque isso não é tem sido feito lá fora. Falei também da necessidade de expansão internacional da entidade, pela facilidade de acesso que eu tenho hoje a outros continentes, principalmente na Ásia e na Europa. Precisamos ainda fazer um fortalecimento das finanças da ISA, o que permitirá investimentos dentro e fora dos Estados Unidos. Finamente queremos ter a ISA como uma entidade de profissionais de instrumentação e automação industrial, realmente internacional.

INTECH AMÉRICA DO SUL – Fique à vontade para suas palavras finais.

NELSON NININPara terminar esta entrevista, gostaria, mais uma vez, de agradecer o grande apoio que tive da Diretoria do Distrito 4, dos muitos amigos que me incentivaram, daqueles que me forneceram cartas de referência e orientações, da minha família e de Deus.


 

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